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Escrevo.

  • Foto do escritor: Alessandra Lagun
    Alessandra Lagun
  • 25 de mar. de 2023
  • 1 min de leitura

Quando era criança tinha uma agenda. Uma agenda onde escrevia e desenhava. Tipo o que hoje se chama bullet journal. Nela escrevia… não lembro… Não me lembro sobre o que escrevia.

Talvez sobre o dia a dia. Talvez sobre sentimentos. Talvez fosse quase um diário… mas de verdade, não lembro. E decorava as páginas. Todo ano comprava uma agenda nova e se não me engano essas mais decoradas eram de uma loja que se chamava “Corpo e Alma”. Corpo e… alma… Será que escrevia sobre quem eu era? Ou sobre quem eu queria ser? Há muito tempo joguei fora essa agenda mas por algum motivo sinto que se joguei fora, é porque ela não importava tanto assim. Talvez fosse mais forma que conteúdo.

Hoje eu escrevo sobre quem eu sou ou sobre quem quero ser ou ainda , sobre como eu acho que sou. Ou sobre quem eu fui.

Até quando conseguimos passar fielmente para o papel a lembrança do que passou. E quantos detalhes acrescentamos do que gostaríamos que tivesse acontecido. Assim que o momento passa já não sabemos mais. É isso… Somos uma ficção de nós mesmos. O papel expõe uma verdade relativa. Não acho que exista isso de escrever para si mesmo. Quem escreve quer ser lido. Mesmo que postumamente. Como um depoimento. Essa fui eu (ou quem eu pensava ser) e como eu pensava e via o mundo.

Mesmo que cheio de mentiras, equívocos, lembranças difusas, o papel é o confidente mas também o delator. Pois está lá, escrito. Tomou corpo e existe agora além da alma.


 
 

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