O dia das bolhas de sabão perdidas.
- Alessandra Lagun
- 20 de set. de 2023
- 2 min de leitura
(texto ficcional derivado do texto "Chovem bolhas de sabão.)
Júbila Salazar morava em uma pequena cidade do interior do Brasil chamada Sem Volta. Ninguém nunca soube explicar a origem do nome com clareza e quando se insistia muito, os moradores respondiam: “Tem Volta Redonda, Passa Quatro... qual o problema com Sem Volta?”
E a vida na cidade seguia assim, sem muito atropelo, tirando a questão do nome.
Num quente dia de março, Júbila estava saindo para ir à padaria quando uma bolha de sabão pousou suavemente no seu braço, “coisa de alguma criança”, pensou. Olhou em volta e a rua estava vazia. Deu de ombros.
Quando estava chegando na esquina, apareceram mais três bolhas. Olhou para o alto, para os lados e nada... Será que eram fruto de sua imaginação, pensou já preocupada com uma tia distante que havia sido internado por conversar com girassóis.
Virou a esquina e notou a praça mais cheia de gente do que o habitual para o horário. E acima das cabeças, aquela nuvem de bolhas de vários tamanhos, perfeitas esferas refletindo as cores do arco-iris. Criancas corriam atrás delas tentando estourar. O prefeito, acompanhado de uma comissão, tentava acalmar o povo, mas ele mesmo não sabia o que dizer.
Passaram-se algumas horas até que tudo voltasse ao normal. Das bolhas, até hoje não se sabe a origem mas por causa delas, o dia 3 de março ficou conhecido como o Dia das Bolhas de Sabão Perdidas.
Dia de festa, quermesse e barraquinha vendendo uma solução de água com detergente e um canudinho para as crianças. Para Júbila, isso tinha sido golpe de algum comerciante tentando ganhar um extra mas a verdade é que agora já não perguntavam o porquê do nome da cidade e a festa ganhou fama para além do município.
