Gênese (uma divagação sobre IA)
- Alessandra Lagun
- 31 de mai. de 2023
- 2 min de leitura

(Imagem criada com IA)
Já há algum tempo, estava experimentando com criações através de Inteligência Artificial. Comecei com descrições simples, copiando prompts de outros usuários mais experientes, tentando entender essa linguagem nova. Vi ali a semente de algo que poderia dar bons frutos. Ganhar tempo ao colocar no papel idéias para mostrar aos clientes. Muitas vezes o resultado era inesperado, gerando novas idéias. Mas até onde essa ferramenta seria válida como produto final? É um vôo com um piloto automático... então de quem é o crédito pelo trajeto sem turbulências?
O processo é aditivo. Quanto mais fazia tentativas de atingir resultados uniformes, dificilmente conseguia uma consistência. Horas e horas de tutoriais na internet aprendendo como deixar o trabalho mais fácil... a frustração de "receber" uma imagem que estava longe de transmitir o sentimento da descrição (a meu ver) perfeita. Um briefing pode parecer perfeito, bem definido e o resultado não ser o esperado, seja artificial ou não.
O processo é tenso. Ver aquela imagem ir se formando aos poucos. Como grãos que ficam orbitando até se encontrarem e aos poucos se materializando. O espectador é um estrangeiro que aos poucos vai entendendo... até que uma luz se acende... 100% (quem usa o Midjourney vai entender)...
E a questão do direito autoral? Nesses prompts se colocam referências. O produto final é criado baseado nelas, em células visuais de tudo que hoje se encontra na rede. Nada se cria, tudo se transforma. Acho que a questão principal é enxergar nessas imagens geradas a faísca de um diamante bruto. E ir além dele.
Mas esse movimento não tem mais volta. Vão desaparecer os ilustradores? Os designers? Os redatores? A cada novo passo o trabalho dos profissionais se torna mais fácil e ao mesmo tempo, mais dispensável. Bate na madeira. É o filosofia do faça você mesmo. Mas ainda acredito que fagulhas surgirão desse fogo controlado. Os gênios sempre existirão. Sempre surgirá algo que será estrangeiro aos olhos da multidão. Continua valendo a máxima: "É 99% trabalho e 1% inspiração".