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Mãos que desenham...

  • Foto do escritor: Alessandra Lagun
    Alessandra Lagun
  • 25 de mar. de 2023
  • 2 min de leitura

O parque estava cheio de pessoas de todas as idades. Crianças correndo, casais tomando café da manhã, famílias visitando a escola e suas exposições. Aos poucos, os outros participantes foram chegando. Um senhor, com seus 70 anos mais ou menos, que trazia, além do material, uma bela cadeira de praia que instalou bem de frente ao lago que se localizava no jardim na parte baixa do terreno. Duas amigas esticaram suas toalhas logo ao lado. E outros que um a um foram encontrando seus espaços… Como era minha primeira vez nesse tipo de encontro, não havia pensado nisso… onde sentar… Avistei um banco um pouco afastado do grupo mas com uma visão perfeita do meu personagem… o casarão. Me lembrei da obra de Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento, e seu Casarão… e quantas histórias não havia de ter esse que estava à minha frente… menos bélicas provavelmente… Mas voltando ao assunto… As mãos ansiosas para começar. Tirei da mochila um velho caderno que me acompanhava desde à época das aulas na universidade, um estojo de aquarela Winsor&Newton já precisando de reposição de algumas cores, as mais usadas, que por mais que fugisse acabavam sempre sendo usadas mesmo que entrando sorrateiras num detalhe. Uma caneta de ponta fina preta iniciou seu caminho cruzando o papel branco. Aos poucos as paredes, limites do personagem com o vazio iam surgindo diante dos meus olhos. Cada quina, torre, as portas trabalhadas, o terraço. A vegetação que o rodeava e adornava.

A segunda etapa, adicionar cores, minha etapa preferida. Os diversos tons de verde se revezando nos jardins. Flores não haviam muitas… mas as plantas, nunca havia notado a variedade em cada canteiro. Minhas mãos corriam pelo papel com o pincel antes que a tinta secasse e a fusão dos tons não acontecesse. Muitas vezes ultrapassando os limites da linha preta, com vida própria. A mão conduzia o pincel freneticamente da água para a tinta para o papel e novamente nesse ritmo até que a página já não suportasse mais tanta vida.

O céu, a essa altura já bem cinza, anunciando a chuva prevista, foi esquecido e em seu lugar um belo azul daqueles de desenho da Disney. Escolhido conscientemente pelas mãos que já não notavam mais a realidade.

Já estavamos ali imersos havia umas duas horas quando um a um fomos novamente nos juntando para compartilhar nossas obras. Obras resultantes de olhos, mãos e perspectivas tão diversas.

Uma foto final reuniu o grupo. Nos despedimos com abraços e apertos de mão. Mãos que voltariam a se encontrar em um mês para um novo encontro. Mãos que deram adeus mas desejando um até breve.

 
 

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