O destino me alcançou.
- Alessandra Lagun
- 29 de mar. de 2023
- 2 min de leitura

Comecei a fazer uma aula de gramática esta semana. No colégio onde estudei não davam a matéria, simplesmente se aprendia lendo. Somente no ano anterior ao vestibular fomos aprender alguma coisa para não "bombar"no quesito. Sinceramente, nunca me fez muita falta, a não ser no curso de inglês onde aprendíamos a tal da "grammar" e se eu estivesse escutando chinês, acho que dava no mesmo. Não conseguia entender a idéia de substantivo... o que era, como se usava, enquanto escrevo aqui, vejo que até agora também não sei... me diga pra apontar um substantivo da frase anterior que faço cara de paisagem.
Passado o vestibular, a parca gramática que absorvi, se escafedeu... e olhem que fiz Comunicação Social. Como já falei por aqui, sempre tive um pouco de medo das minhas habilidades de desenho, medo da página em branco, de mostrar, de me comparar com meu avô (que era um grande desenhista). Mas fui superando pouco a pouco. Com a escrita não está sendo diferente. Além do medo de não saber sobre o que escrever, tenho receio de escrever errado. Meus textos acabam passando pela "revisão" da minha mãe. Sempre tive a impressão também de não ser boa o suficiente e acho que esse somatório me levou a acreditar que eu não gostava de escrever.
Noto agora como escolhi uma carreira que me levou, no fim das contas, a superar esses medos todos. Durante 30 anos, trabalhei com produção de eventos, uma profissão "de ação". O que foi ótimo, pois eu, que sempre tiver vergonha de tudo, tive que colocar a cara no mundo.
Mas no fim das contas, o destino me alcançou e não teve jeito. Quando o mercado de produção se tornou um estranho pra mim, me voltei pra essa área que era tão ameaçadora. Primeiro com um curso de Design Gráfico e depois cursos de desenho, pós -graduações. Quando fiz o teste vocacional aos 18 anos, a orientadora me disse: "Você tem que fazer algo que não te deixe presa dentro de um escritório, pois vai se fechar na sua concha". Há 30 anos atrás, o que ela falou, realmente, era verdade. Mas hoje não. Passei os últimos 4 anos, praticamente, trabalhando sozinha em casa, mas nunca me senti tão conectada com o mundo. A era digital com suas redes sociais, o trabalho remoto, não te deixa ficar enclausurada. Ok, são outros tempos. O meu "eu visual" hoje está aí, exposto, para todos verem. Agora é hora de começar a explorar o meu "eu textual".
Dentro de 15 dias começo minha primeira oficina de escrita criativa. E, como dica, a professora me disse para começar um diário. E há uma semana tenho feito isso. Confesso que tem sido uma libertação. Algumas coisas mostro, outras não, mas aí vou.
Há uns dias atrás acordei com uma frase que acho que traduz esse meu sentimento hoje e termino meu texto com ela. Pois não é um fim, é só um começo.
"Ela anda rumo ao seu destino, mas sua mente gira em todas as direções".