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Roland Garros feelings...

  • Foto do escritor: Alessandra Lagun
    Alessandra Lagun
  • 7 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Quando fiz 8 anos, ganhei minha primeira raquete de tênis. Nessa época as raquetes ainda eram de madeira (sim, sou dessa época) . Fazia aula na escolinha do clube. Todo sábado, eu e minha irmã, com os respectivos vestidinhos brancos com um bordado da "Minnie Mouse tenista", nos enfileirávamos com outras 8 crianças no fundo da quadra. Uma a uma, rebatíamos (ou tentávamos rebater) as bolas lançadas pelo professor. No fim da aula era a hora do saque, ou melhor, a hora de aprender a lançar a bola por que saque mesmo não acontecia.

Depois de um par de anos na escolinha, consegui uma vaga nas aulas individuais. Toda sexta -feira adentrava o clube com minha nova raquete de grafite para uma hora de suadeira correndo de um lado pro outro da quadra. O novo professor, que até hoje é quase que da família, não aliviava. Era especialista no que poderia ser chamado de bullying inofensivo. A garotada toda amava.

Aos poucos fui levando o esporte mais a sério. Jogando nos fins de semana e nas férias praticamente morava nas quadras. Para acompanhar, essa dedicação sempre vinha acompanhada de uma raquete mais moderna, mais de uma pra falar a verdade. Só a capa não bastava, precisava de uma "thermobag". Ali dentro, além das raquetes, bolas, rolinhos de overgrips, toalha e o que mais coubesse. Chegava sexta-feira, se o tempo anunciasse qualquer chuva, já ficava tensa. Andando de um lado pra outro dentro de casa olhando pro céu, esperando a hora da aula. Parecia até que estava esperando a carta de convocação do comitê olímpico...

Toda essa euforia durou até o vestibular. Após o início da faculdade, estágios, emprego, acabei deixando de lado. Passei por vários outros esportes e atividades. Corrida, academia, windsurf, yoga, ciclismo... até voltar, 30 anos depois, ao tênis.

Confesso que tem sido difícil. Até que jogava direitinho aos 18 anos... e hoje consegui recuperar muito. Mas não é a mesma coisa. O fôlego é um amigo distante. E o pior... a maldita dor na lombar. Depois de cada jogo, se não aplico um camada generosa de anti-inflamatório (meu novo hidratante com cheiro de sauna), a possibilidade de não levantar no dia seguinte é grande. Mas vamos em frente, toda semana melhorando um pouco, menos a lombar (socorro!)... e o saque. Acho que vou ter que voltar pra Escolinha nesse quesito.

Fácil tem sido se reconectar com pessoas para marcar jogos. Quantas pessoas bacanas tem aparecido no meu caminho. Atualmente, tenho um jogo fixo com três amigas que jogam também beach tenis (meu esporte-crush). Todas com mais idade (e melhor forma do que eu). Eu saio batendo pino dos nossos 3 sets semanais enquanto elas já fazem planos pra jogar no dia seguinte.

Semana passada topei o desafio mas tive que declinar faltando algumas horas para o repeteco. Fiquei travada da coluna. Me perguntaram: "Jogando tênis?". Respondo... "não, calçando o tênis." Tá fácil não...

 
 

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